Checklist de adequação à NR-1: 10 itens para auditar sua empresa

Equipe SAFIO10 de junho de 2026

Resumo

Para saber se a sua empresa está em conformidade com a NR-1 quanto aos riscos psicossociais, audite 10 pontos: PGR que contempla os fatores psicossociais, avaliação com instrumento validado, análise por setor, inventário atualizado, plano de ação com responsáveis e prazos, evidências de execução, AEP quando aplicável, canal de denúncias, anonimato garantido e revisão periódica. Se algum item falhar, há risco de autuação. Use o checklist abaixo como uma autoauditoria rápida.

A inclusão da gestão dos riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) tornou a NR-1 muito mais exigente do que muitos gestores imaginam. Não basta ter um documento arquivado: a fiscalização verifica se a empresa identifica, avalia, trata e acompanha os fatores psicossociais de forma estruturada e com evidências. Para ajudar você a descobrir, em poucos minutos, onde está exposto, montamos um checklist com 10 itens essenciais. Passe por cada um com honestidade, qualquer "não" é um ponto que o auditor-fiscal pode transformar em autuação.

Por que fazer uma autoauditoria antes da fiscalização

O auditor-fiscal do trabalho não cobra apenas a existência de papéis. Ele cobra coerência: se o inventário aponta um risco, deve haver plano de ação; se há plano de ação, deve haver evidência de execução; se há avaliação, ela deve usar um método defensável. Uma autoauditoria interna antecipa exatamente o que será olhado e permite corrigir lacunas enquanto ainda há tempo, e antes que cada falha vire uma multa somável sob a NR-28. Faça o checklist a seguir item a item.

Checklist de adequação à NR-1: os 10 itens

  1. O PGR contempla os riscos psicossociais? O Programa de Gerenciamento de Riscos não pode tratar só de riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidente. Os fatores psicossociais (carga de trabalho, jornada, assédio, autonomia, relações interpessoais) precisam estar formalmente incluídos. O que você deve ter: um PGR cujo escopo cite explicitamente os fatores psicossociais e os integre ao ciclo de gestão. Veja como organizar isso no guia sobre riscos psicossociais no PGR.
  2. A avaliação usa um instrumento validado? Perguntar "você está estressado?" não é avaliação de risco. A NR-1 espera um método estruturado e tecnicamente defensável. O que você deve ter: aplicação de um instrumento reconhecido, como questionários validados cientificamente, com critérios claros de coleta, escala de resposta e interpretação dos resultados, em vez de impressões subjetivas.
  3. A análise é feita por setor (ou função)? Um número médio para a empresa inteira esconde os pontos críticos. O risco psicossocial de um setor de atendimento pode ser muito diferente do de um setor administrativo. O que você deve ter: resultados segmentados por setor, área ou função, permitindo identificar onde os fatores de risco estão concentrados e priorizar ações.
  4. O inventário de riscos está atualizado? O Inventário de Riscos deve refletir a realidade atual da empresa, não a de dois anos atrás. O que você deve ter: inventário que registre os fatores psicossociais identificados, com data, nível de risco e vínculo com os setores avaliados, revisado sempre que houver mudanças relevantes na organização do trabalho.
  5. Existe plano de ação com responsáveis e prazos? Identificar o risco sem definir o que fazer é meio caminho para a autuação. O que você deve ter: um plano de ação com medidas concretas, um responsável nomeado por cada ação e prazos definidos. A metodologia 5W2H ajuda a estruturar isso, veja o passo a passo no artigo sobre plano de ação 5W2H para riscos psicossociais.
  6. Há evidências de execução das ações? Este é um dos pontos que mais derruba empresas na fiscalização. Ter o plano no papel não basta: é preciso provar que ele foi executado. O que você deve ter: registros que comprovem a realização das medidas, atas de reunião, listas de presença em treinamentos, comunicados, fotos, relatórios de acompanhamento e indicadores antes/depois.
  7. A AEP foi feita quando aplicável? A Análise Ergonômica Preliminar (e, quando indicada, a avaliação ergonômica aprofundada) se conecta diretamente com fatores como ritmo, postura e organização do trabalho, que se sobrepõem aos psicossociais. O que você deve ter: a análise ergonômica realizada nas situações em que é exigida, integrada à avaliação dos demais riscos. Entenda a relação no texto sobre AEP, NR-17 e riscos psicossociais.
  8. Existe um canal de denúncias? Para tratar assédio e outros fatores psicossociais, a empresa precisa oferecer um meio formal para que os colaboradores relatem situações. O que você deve ter: um canal de denúncias divulgado e acessível, com fluxo definido de recebimento, apuração e retorno, e que efetivamente funcione, não apenas exista no organograma.
  9. O anonimato é garantido? Um canal de denúncias só gera dados confiáveis se as pessoas se sentirem seguras para usá-lo. O mesmo vale para os questionários de avaliação. O que você deve ter: garantia de anonimato e confidencialidade na coleta de dados e nas denúncias, com tratamento agregado das respostas e regras claras contra retaliação, em linha com a proteção de dados.
  10. Há revisão periódica do processo? A gestão de riscos não é um evento único. O que você deve ter: um ciclo definido de reavaliação dos riscos psicossociais e de atualização do PGR, do inventário e do plano de ação, no mínimo em ciclos regulares e sempre que houver mudanças relevantes (reestruturação, novas funções, aumento de afastamentos).
  11. A documentação está organizada e rastreável? De nada adianta ter tudo se, na hora da fiscalização, ninguém encontra os documentos. O que você deve ter: avaliação, inventário, plano de ação e evidências guardados de forma organizada, datados e prontos para apresentação, idealmente em uma plataforma que mantenha o histórico e a rastreabilidade de cada ciclo.

Como interpretar o resultado do checklist

Se você respondeu "sim" com confiança aos dez itens, sua empresa está num bom patamar de conformidade, mantenha o ciclo vivo. Se ficou em dúvida ou marcou "não" em qualquer item, ali está uma lacuna real. Lembre-se de que as multas da NR-28 são somáveis: cada não conformidade pode virar uma autuação separada. Para dimensionar quanto a sua empresa pode pagar em caso de fiscalização, use a nossa calculadora de multa da NR-1 e compare o valor com o custo de simplesmente fechar essas lacunas agora.

O que a fiscalização costuma pedir

Vale alinhar o checklist com o que os auditores efetivamente solicitam em campo. Esse cruzamento mostra que documentação isolada não basta, é a cadeia identificação, plano e evidência que sustenta a conformidade. Aprofunde no artigo sobre o que a fiscalização da NR-1 pede.

Transforme o checklist em conformidade contínua

Marcar caixinhas uma vez não garante adequação: a NR-1 exige um processo que se mantenha atualizado. Uma plataforma especializada estrutura a avaliação com instrumento validado, segmenta os resultados por setor, gera o inventário, organiza o plano de ação com responsáveis e prazos e guarda as evidências para auditoria, fechando, de uma só vez, vários itens deste checklist. Se quiser sair do diagnóstico para a ação, crie sua conta na SAFIO e faça a avaliação dos riscos psicossociais de forma guiada e auditável.

Resumo prático: passe pelos 10 itens com honestidade, priorize as lacunas pelo risco e pela facilidade de correção, e mantenha o ciclo de revisão ativo. Comece estimando sua exposição na calculadora de multa e estruture tudo criando sua conta no cadastro da SAFIO.

Perguntas frequentes

Como sei se minha empresa está em conformidade com a NR-1?

Faça uma autoauditoria com os 10 itens deste checklist: PGR que contempla os psicossociais, avaliação com instrumento validado, análise por setor, inventário atualizado, plano de ação com responsáveis e prazos, evidências de execução, AEP quando aplicável, canal de denúncias, anonimato garantido e revisão periódica. Qualquer item em falta é um ponto de risco que a fiscalização pode autuar.

Ter o PGR pronto já significa que estou adequado à NR-1?

Não necessariamente. O PGR precisa contemplar explicitamente os fatores psicossociais, e a fiscalização verifica coerência: se o inventário aponta um risco, deve haver plano de ação, e se há plano, deve haver evidência de execução. Documento parado, sem ações e sem provas de que foram realizadas, costuma ser justamente o que gera autuação.

O que mais reprova empresas na fiscalização da NR-1?

A falta de evidências de execução do plano de ação e a ausência de avaliação com método validado. Muitas empresas têm documentos, mas não conseguem comprovar que as medidas foram efetivamente realizadas nem demonstram um instrumento estruturado de avaliação. Anonimato não garantido e inventário desatualizado também são falhas frequentes.

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