Recebi uma notificação do MTE sobre a NR-1: o que fazer

Equipe SAFIO10 de junho de 2026

Resumo

Receber uma notificação do MTE sobre a NR-1 não significa multa automática. Mantenha a calma, anote os prazos, reúna sua documentação (PGR, avaliação de riscos e plano de ação) e busque apoio técnico e jurídico. O pior erro é ignorar a notificação ou tentar forjar documentos com data retroativa.

Receber uma notificação ou um auto de infração do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) costuma gerar pânico, mas o primeiro passo é entender o que aquele documento realmente significa. Nem toda notificação é uma multa: muitas vezes trata-se de um prazo para apresentar documentos ou regularizar pendências relacionadas à NR-1 e à gestão de riscos psicossociais. Neste guia, mostramos o que fazer (e o que jamais fazer) para responder de forma correta.

Primeiro: entenda o que você recebeu

Existem diferentes tipos de documento que o auditor-fiscal do trabalho pode emitir, e cada um exige uma resposta diferente:

  • Notificação para apresentação de documentos: pede que a empresa apresente, em prazo determinado, documentos como o PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos), inventário de riscos e plano de ação.
  • Notificação para regularização: aponta uma irregularidade e concede prazo para correção, sem aplicar multa de imediato.
  • Auto de infração: documento que formaliza a penalidade e já indica a capitulação legal infringida. Aqui cabe defesa administrativa.

Leia o documento com atenção e identifique qual é o seu caso antes de agir. A capitulação (o item da norma citado) indica exatamente o que está sendo cobrado.

O que fazer: passo a passo

  1. Não ignore. O silêncio é interpretado como descumprimento e agrava a situação. Mesmo que você discorde, é preciso responder dentro do prazo.
  2. Anote todos os prazos. Verifique a data de recebimento e conte o prazo concedido (geralmente em dias úteis). Prazos perdidos costumam ser irreversíveis.
  3. Reúna a documentação. Separe o PGR, a avaliação de riscos psicossociais, o inventário de riscos e o plano de ação. Esses são os documentos mais cobrados nas fiscalizações ligadas à NR-1.
  4. Identifique lacunas reais. Se faltar algum documento ou se a avaliação de riscos psicossociais não tiver sido feita, mapeie isso com honestidade para planejar a regularização.
  5. Busque apoio técnico e jurídico. Um profissional de segurança do trabalho (SESMT ou consultoria) ajuda a montar a documentação técnica, e um advogado trabalhista orienta sobre a defesa administrativa.
  6. Regularize o quanto antes. Em muitos casos, a regularização dentro do prazo evita ou reduz a penalidade. Demonstrar boa-fé e ação concreta pesa a favor da empresa.
  7. Protocole a resposta corretamente. Apresente os documentos pelos canais oficiais e guarde os comprovantes de protocolo.

E se você ainda não tem a documentação da NR-1?

Se a empresa ainda não estruturou a gestão de riscos psicossociais exigida pela NR-1, a notificação é o momento de começar de forma organizada. Estruturar o inventário de riscos, a avaliação e o plano de ação demonstra que a empresa está agindo. Uma ferramenta especializada acelera esse processo: você pode criar sua conta gratuita e montar a avaliação de riscos psicossociais de forma guiada.

O que NÃO fazer (de jeito nenhum)

  • Não forje documentos com data retroativa. Criar um PGR ou avaliação "antiga" para fingir que existia antes da fiscalização é fraude documental, configura crime e agrava enormemente a situação. Auditores são treinados para identificar inconsistências.
  • Não ignore a notificação. Deixar o prazo passar transforma uma simples exigência de documentos em multa certa.
  • Não tente argumentar sem base técnica. Respostas genéricas ou agressivas não substituem documentos. Apresente fatos e comprovantes.
  • Não destrua ou altere registros existentes. Isso pode ser interpretado como obstrução e má-fé.
  • Não pague a multa sem analisar a defesa. Antes de quitar, avalie com seu advogado se cabe defesa ou recurso, que podem reduzir ou anular o valor.

Quanto pode custar?

O valor das multas relacionadas à NR-1 varia conforme o porte da empresa, o número de empregados e a gravidade da infração. Para ter uma estimativa antes mesmo de conversar com o auditor ou advogado, use nossa calculadora de multa da NR-1 e entenda a ordem de grandeza dos riscos envolvidos. Saber o valor potencial ajuda a priorizar a regularização.

Organize a documentação para a próxima fiscalização

Depois de responder à notificação, o objetivo é não repetir o problema. Mantenha o PGR atualizado, refaça a avaliação de riscos psicossociais nos prazos previstos e documente cada etapa do plano de ação. Para saber exatamente o que os fiscais costumam exigir, vale revisar o conteúdo sobre o que os auditores pedem na fiscalização da NR-1 e antecipar-se às próximas exigências.

Resumo prático

  1. Leia e classifique o documento recebido.
  2. Anote os prazos e não os perca.
  3. Reúna PGR, avaliação de riscos e plano de ação.
  4. Busque apoio técnico e jurídico.
  5. Regularize rápido e protocole tudo com comprovantes.
  6. Nunca forje documentos nem ignore a notificação.

Aviso importante: este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não constitui aconselhamento jurídico. Cada notificação tem particularidades, e a resposta adequada depende do caso concreto. Consulte sempre um advogado e um profissional de segurança do trabalho de sua confiança.

Perguntas frequentes

Recebi uma notificação do MTE sobre a NR-1. Já é uma multa?

Nem sempre. Muitas notificações são apenas pedidos de apresentação de documentos ou prazos para regularização, sem multa de imediato. Leia o documento para identificar se é uma notificação ou um auto de infração, que já formaliza a penalidade.

Posso criar a documentação da NR-1 com data retroativa para parecer que já existia?

Não. Forjar documentos com data retroativa é fraude documental, configura crime e agrava muito a situação. Auditores identificam inconsistências. O correto é regularizar a partir de agora e demonstrar boa-fé.

O que devo separar para responder à notificação?

Reúna o PGR, o inventário de riscos, a avaliação de riscos psicossociais e o plano de ação. Esses são os documentos mais cobrados nas fiscalizações ligadas à NR-1. Busque também apoio técnico e jurídico antes de protocolar a resposta.

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