Comportamentos ofensivos no trabalho: a dimensão COPSOQ na NR-1

Equipe Safio02 de agosto de 2026

Resumo

Comportamentos Ofensivos é a dimensão do COPSOQ II que mede a exposição a ameaças, humilhação ou ofensa no trabalho. No diagnóstico NR-1 da Safio, a pergunta "Nos últimos 12 meses, você foi alvo de ameaças, humilhação ou comportamento ofensivo no trabalho?" é respondida em escala de frequência e vira um score de 0 a 100: até 33 é risco baixo, de 34 a 66 é moderado e de 67 a 100 é alto, exigindo ação prioritária no plano de ação do PGR.

Assédio, ameaças e humilhações costumam ser tratados como casos: uma denúncia aqui, um processo ali. O COPSOQ II faz diferente: transforma essa exposição em um fator medido, com score, faixa de risco e obrigação de tratamento. Os comportamentos ofensivos no trabalho são uma das 23 dimensões do diagnóstico psicossocial da NR-1, e talvez a mais sensível. Neste artigo, você entende a pergunta real do questionário, como o score é calculado, o que cada faixa significa e como o resultado entra no PGR.

O que é a dimensão Comportamentos Ofensivos

Comportamentos Ofensivos é a dimensão do COPSOQ II que avalia, na definição usada pela própria plataforma, a exposição a ameaças, humilhação ou ofensa: o quanto as pessoas relatam ter sido alvo de condutas hostis no trabalho, venham elas de chefias, colegas, clientes ou terceiros. É a dimensão que captura, em número, aquilo que aparece nas denúncias, nos corredores e nos pedidos de demissão silenciosos.

No diagnóstico NR-1 da Safio, ela é uma das 23 dimensões psicossociais avaliadas pelo questionário de 41 itens da versão curta do COPSOQ II, instrumento validado internacionalmente. Uma distinção importante: este artigo trata do fator medido. Se você quer entender o fenômeno em si, como caracterizar, documentar e prevenir o assédio moral juridicamente, temos um guia dedicado. Aqui, o foco é a régua: como a exposição vira score e o score vira gestão.

A pergunta real que mede comportamentos ofensivos

No questionário aplicado pela Safio, a dimensão é medida por um único item — a questão 41, a última das 41 —, respondido em escala de frequência:

"Nos últimos 12 meses, você foi alvo de ameaças, humilhação ou comportamento ofensivo no trabalho?"

Três detalhes fazem diferença na leitura. Primeiro, a janela de 12 meses: a pergunta não mede o humor da semana, mas a exposição acumulada em um ano. Segundo, ela pergunta se a pessoa foi alvo, não se "existe assédio na empresa": relato direto, não opinião sobre o clima. Terceiro, nesta dimensão até um "Raramente" carrega peso: ao contrário de carga de trabalho, o cenário saudável aqui é "Nunca".

Como a resposta vira um score de 0 a 100

A resposta usa a escala Likert de 5 pontos: Nunca (1), Raramente (2), Às vezes (3), Frequentemente (4) e Sempre (5). A plataforma converte cada resposta para o padrão COPSOQ de 0 a 100 pela fórmula (resposta − 1) × 25, gerando 0, 25, 50, 75 ou 100. O score da dimensão é a média dos itens que a compõem; como aqui há um único item, ele reflete diretamente a média das respostas da equipe.

Sobre a polaridade: no COPSOQ, a convenção é score maior = risco maior em todas as dimensões. Itens redigidos no sentido positivo, como "Você tem grande influência sobre seu trabalho?", passam por inversão antes de agregar: o score vira 100 menos o valor original. O item de Comportamentos Ofensivos é redigido no sentido negativo, então não sofre inversão: quem responde "Sempre" gera score 100, direto no cálculo.

Como interpretar o score: baixo, moderado e alto

O score cai em uma de três faixas, que a plataforma traduz em rótulos de gestão:

FaixaClassificaçãoLeituraO que significa nesta dimensão
0–33BAIXOAdequadoA maioria responde "Nunca". Exposição pontual, sem padrão. Ainda assim, mantenha o canal de escuta ativo: nesta dimensão, casos isolados também importam.
34–66MODERADOAtençãoA média gravita em torno de "às vezes": os relatos já são recorrentes o bastante para deslocar o resultado do grupo. Há um padrão se formando, quase sempre concentrado em um setor ou em uma relação específica. Investigar antes que escale.
67–100ALTOPrioritárioA média se aproxima de "frequentemente" ou "sempre": ameaças e humilhações aparecem como relato consistente do grupo, não como episódios soltos. Risco elevado de adoecimento, afastamentos e passivo trabalhista, com ação prioritária recomendada no plano de ação.

Uma particularidade de leitura: por medir um relato de vitimização, que costuma se concentrar em poucas relações ou áreas, esta dimensão tende a aparecer diluída na média geral da empresa. Por isso a análise por setor importa tanto: um score global de 15 pode conviver com um setor em 70, e é nesse setor que o problema mora — desde que o recorte tenha ao menos 5 respondentes, o mínimo exigido pela regra de anonimato para que o resultado seja exibido.

Severidade 5: por que a faixa não conta a história toda

A faixa do score não decide sozinha a prioridade. No Documento de Critérios (T02), cada dimensão recebe uma severidade fixa de 1 a 5, definida pelo potencial de dano antes de qualquer resposta chegar. Comportamentos Ofensivos recebe severidade 5, o teto da escala, acompanhada apenas de Burnout e Sintomas Depressivos. A probabilidade, essa sim, sai do score.

Os dois eixos se cruzam na matriz de risco 5×5 do Quadro 10 do Manual GRO/PGR (documento T03), e o efeito prático é severo: com severidade 5, esta dimensão nunca sai da matriz classificada como Baixo. Mesmo um score abaixo de 20 já entra como Moderado; a partir de 20, a classe é Alto; a partir de 60, Crítico. Um score de 25, que na leitura por faixas parece confortável, chega ao inventário como risco Alto — e precisa ser tratado como tal.

Vale não confundir as duas réguas: a faixa do diagnóstico tem três níveis (baixo, moderado e alto) e descreve o que as pessoas responderam; a classe da matriz tem quatro (baixo, moderado, alto e crítico) e descreve a prioridade do risco depois de cruzar score com severidade.

Situações concretas que elevam essa dimensão

Score alto em Comportamentos Ofensivos quase sempre tem endereço. As situações que mais empurram a dimensão para cima:

  • Exposição do erro como método: a correção feita na frente do time, o print no grupo, a ironia sobre a capacidade da pessoa. É o padrão que mais aparece quando um setor inteiro sobe de faixa ao mesmo tempo.
  • Intimidação usada como gestão: insinuação de demissão a cada cobrança, retaliação a quem discorda, rankings públicos de "piores desempenhos". A pessoa não precisa ouvir uma ameaça explícita para responder "frequentemente" à pergunta.
  • Humor hostil normalizado: apelidos e piadas recorrentes sobre corpo, origem, gênero, orientação sexual ou religião, tolerados como "cultura da casa". Costuma elevar o score de um grupo pequeno enquanto o resto da empresa nem percebe.
  • Hostilidade entre pares: isolamento proposital, sabotagem de entregas, grupos que transformam um colega em alvo. Aqui o score sobe sem que a liderança seja a origem — e é o cenário que a leitura por setor mais ajuda a localizar.
  • Agressão de terceiros tratada como parte do trabalho: atendimento, saúde, transporte e segurança em que gritos e ameaças de clientes ou pacientes não geram protocolo de proteção nem registro.
  • Turnos e áreas com pouca testemunha: escalas noturnas, unidades remotas e equipes de campo, em que a conduta ofensiva raramente chega ao RH e o questionário costuma ser o primeiro sinal registrado.

O que fazer quando o score aponta risco

Quando a dimensão pontua em MODERADO ou ALTO, a recomendação que a plataforma da Safio traz como ponto de partida é direta: política formal antiassédio com canal anônimo, treinamento obrigatório e protocolo de investigação, com ação prioritária na faixa ALTO e acompanhamento na faixa MODERADO. Na prática, isso se desdobra em quatro frentes:

  1. Política formal, escrita e divulgada: o que é conduta inaceitável, o que acontece com quem pratica e como relatar. Sem documento, cada gestor decide sozinho onde fica a linha.
  2. Canal de denúncias anônimo e confiável: quem foi alvo de ameaça não relata em conversa aberta com o RH. Nos planos Growth e Enterprise, a Safio inclui o canal de denúncias com relato anônimo, dando vazão segura ao que o questionário só mostra em número.
  3. Treinamento obrigatório: lideranças e equipes precisam saber reconhecer a fronteira entre cobrança legítima e conduta ofensiva, e o que fazer ao presenciar um caso.
  4. Protocolo de investigação: prazo, responsável, sigilo, proteção contra retaliação e consequência proporcional. Denúncia sem apuração ensina a empresa inteira a não denunciar.

O erro mais caro é esperar a denúncia formal para agir. O score da dimensão existe justamente para antecipar: ele mostra o padrão antes que o caso vire processo.

Como a dimensão entra no PGR e no plano de ação

O resultado de Comportamentos Ofensivos não termina no relatório. No fluxo da Safio, ele alimenta o gerenciamento exigido pela NR-1:

  • Inventário de riscos (T01): as 23 dimensões entram na documentação do PGR com score e faixa; as que ficam acima de BAIXO recebem também uma diretriz de tratamento. Tudo em dado agregado, como evidência objetiva, sem expor pessoas.
  • Plano de ação: a recomendação vira ações com responsável e prazo, acompanhadas no ciclo PDCA: planejar a intervenção, executar, verificar se o score caiu no ciclo seguinte e ajustar o que não funcionou.
  • Documentação assinada: diagnóstico e plano compõem os 6 documentos (T01 a T06) gerados pela plataforma, com assinatura digital do responsável técnico e guarda por 20 anos, prontos para fiscalização.
  • Monitoramento entre ciclos: nos planos Growth e Enterprise (e liberadas no teste grátis), as Pesquisas de Pulso acompanham a percepção do ambiente entre um diagnóstico anual e outro, mostrando se as medidas estão surtindo efeito.

Nesta dimensão, o anonimato é condição de existência do dado: ninguém admite ter sido humilhado pela chefia em formulário rastreável. Por isso os resultados são sempre agregados com k-anonimato mínimo de 5 respondentes por setor: nenhum recorte com menos de 5 respostas é exibido.

Erros comuns ao interpretar Comportamentos Ofensivos

  • Comemorar a média geral baixa: é uma dimensão concentrada por natureza. O score que importa é o do pior setor, não o da empresa.
  • Tratar score baixo como ausência de casos: BAIXO significa exposição pouco frequente no agregado, não inexistente. O canal de denúncias segue necessário para capturar o caso individual que a média dilui.
  • Confundir a régua com a apuração: o diagnóstico mede exposição de forma anônima e agregada; ele não identifica autor nem substitui investigação. São instrumentos complementares: o score aponta onde olhar, o protocolo apura o caso.
  • Reagir procurando "o denunciante": além de violar o anonimato, qualquer tentativa de identificação destrói a confiança e derruba a adesão dos próximos ciclos.
  • Parar na faixa e ignorar a severidade: BAIXO no diagnóstico não significa Baixo no inventário. Com severidade 5, esta dimensão entra na matriz como Moderado mesmo com score abaixo de 20, e como Alto a partir de 20.
  • Agir uma vez e não medir de novo: sem o "C" do PDCA, não há como saber se a política e o treinamento funcionaram. O score do ciclo seguinte é o teste da ação.

Do caso isolado ao risco gerenciado

Ameaça, humilhação e ofensa sempre existiram no trabalho; o que mudou com a NR-1 é que a exposição a elas agora precisa ser medida, classificada e tratada como qualquer outro risco ocupacional. A dimensão Comportamentos Ofensivos faz exatamente isso: transforma o assunto mais difícil da empresa em um score de 0 a 100, com faixa de risco, recomendação prática e trilha direta para o PGR e o plano de ação.

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Perguntas frequentes

O que é a dimensão Comportamentos Ofensivos do COPSOQ II?

É a dimensão que mede a exposição a ameaças, humilhação ou ofensa no trabalho, a partir do relato direto de quem responde. No diagnóstico NR-1 da Safio, ela gera um score de 0 a 100, em que score maior indica risco maior, classificado como baixo (0 a 33), moderado (34 a 66) ou alto (67 a 100).

Qual pergunta mede comportamentos ofensivos no diagnóstico NR-1?

No questionário de 41 itens da versão curta do COPSOQ II aplicado pela Safio, a dimensão é medida pela questão 41: "Nos últimos 12 meses, você foi alvo de ameaças, humilhação ou comportamento ofensivo no trabalho?", respondida de Nunca a Sempre (escala 1 a 5) e convertida para 0, 25, 50, 75 ou 100. Por ser um item negativo, não há inversão de polaridade: "Sempre" gera score 100.

Qual a diferença entre a dimensão Comportamentos Ofensivos e assédio moral?

Assédio moral é o fenômeno, com caracterização própria e consequências jurídicas; Comportamentos Ofensivos é o fator medido, a régua anônima e agregada que mostra o quanto a equipe relata exposição a ameaças, humilhação ou ofensa. O score aponta onde o problema se concentra; a apuração de casos individuais segue pelo canal de denúncias e pelo protocolo de investigação.

O que fazer quando o score de Comportamentos Ofensivos está alto?

O ponto de partida recomendado pela plataforma é uma política formal antiassédio com canal anônimo, treinamento obrigatório e protocolo de investigação, com ação prioritária na faixa alta (67 a 100) e acompanhamento na moderada (34 a 66). Vale lembrar que a dimensão tem severidade 5 no Documento de Critérios: na matriz de risco 5×5, ela é classificada como Alto já a partir de score 20 e como Crítico a partir de 60. As ações entram no plano de ação do PGR e são verificadas no ciclo PDCA seguinte.

Por que o anonimato é tão importante nessa dimensão?

Porque ninguém relata ter sido humilhado ou ameaçado em um formulário rastreável, especialmente quando o autor é a chefia. Na Safio, os resultados são sempre agregados com k-anonimato mínimo de 5 respondentes por setor, ou seja, nenhum recorte com menos de 5 respostas é exibido, o que protege quem responde e garante dados honestos.

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