Matriz de risco psicossocial: como montar e classificar
Resumo
A matriz de risco psicossocial cruza probabilidade (derivada do score do diagnóstico) com severidade (fixa por tipo de fator) para classificar cada risco como Baixo, Moderado, Alto ou Crítico. A referência é a matriz 5×5 do Quadro 10 do Manual GRO/PGR do MTE, e o resultado define a prioridade de cada dimensão no plano de ação. Na Safio, ela é o documento T03, gerado automaticamente a partir dos scores do COPSOQ II e assinado pelo responsável técnico.
Depois do diagnóstico psicossocial, você tem uma lista de dimensões com scores. E agora? Um score de 65 em burnout é mais ou menos urgente que um 72 em ritmo de trabalho? É essa pergunta que a matriz de risco psicossocial responde: ela transforma números soltos em uma classificação de prioridade defensável tecnicamente, no formato que o auditor-fiscal espera encontrar anexado ao PGR. Veja como funcionam os dois eixos, como classificar cada fator e como gerar o documento automaticamente.
O que é a matriz de risco psicossocial
A matriz de risco psicossocial é a ferramenta que cruza a probabilidade de um fator psicossocial causar dano com a severidade do dano potencial, posicionando cada fator em um nível de risco: Baixo, Moderado, Alto ou Crítico. É a mesma lógica usada há décadas para riscos físicos e químicos, aplicada agora a fatores como sobrecarga, assédio e falta de apoio da liderança.
A referência metodológica é o Quadro 10 do Manual de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO/PGR) do Ministério do Trabalho e Emprego: uma matriz 5×5, com cinco graus de probabilidade e cinco de severidade. A NR-1 exige que a avaliação de riscos combine esses dois fatores para permitir a gradação e a priorização, e a matriz é a forma consagrada de registrar esse cruzamento. No conjunto de 6 documentos (T01–T06) que compõem o dossiê psicossocial, ela é o T03, anexo do PGR ao lado do inventário de riscos e do plano de ação.
Os dois eixos: probabilidade e severidade
Probabilidade: derivada do score do diagnóstico
Probabilidade, no contexto psicossocial, é a chance de aquele fator estar de fato gerando exposição nociva na sua empresa — e ela não deve ser estimada "no olho" em reunião: precisa sair do dado. Quando o diagnóstico usa um instrumento validado como o COPSOQ, cada dimensão recebe um score de 0 a 100 orientado a risco (quanto maior, pior). No relatório de diagnóstico, esse score é lido em três faixas (0–33 Baixo, 34–66 Moderado, 67–100 Alto); na matriz, ele é refinado em cinco níveis para alimentar o eixo de probabilidade:
| Score da dimensão (0–100) | Probabilidade | Leitura da faixa |
|---|---|---|
| 80 a 100 | 5 — Muito alta | Exposição intensa e consistente nas respostas da dimensão |
| 60 a 79 | 4 — Alta | Exposição relevante e recorrente |
| 40 a 59 | 3 — Média | Exposição intermediária, com respostas divididas |
| 20 a 39 | 2 — Baixa | Exposição pontual |
| Abaixo de 20 | 1 — Muito baixa | Exposição residual |
Vale a ressalva técnica: esse score é a média das respostas da dimensão, já convertidas da escala Likert de 5 pontos para 0, 25, 50, 75 ou 100 e com os itens positivos invertidos (100 − score). Ele mede intensidade de exposição relatada, não percentual de pessoas afetadas — e é por isso que ele alimenta o eixo de probabilidade sem, sozinho, decidir a prioridade.
Severidade: fixa por tipo de fator
Severidade é a gravidade do dano que aquele fator pode causar à saúde — e aqui está a diferença crucial: ela não depende do score. Assédio é grave mesmo quando raro; um déficit de comunidade social no trabalho, ainda que frequente, tem potencial de dano menor. Por isso a severidade é pré-definida por tipo de dimensão, considerando o potencial de dano à saúde física e mental e o risco de adoecimento a médio e longo prazo. Essa tabela não nasce aqui: ela é registrada no Documento de Critérios de Avaliação (T02), escrito antes de olhar os resultados — a matriz apenas a aplica. Na metodologia da Safio, as 23 dimensões do COPSOQ II se distribuem assim:
- Severidade 5 (muito alta): comportamentos ofensivos, burnout e sintomas depressivos;
- Severidade 4 (alta): exigências emocionais, estresse e qualidade da liderança;
- Severidade 3 (média): exigências quantitativas, ritmo de trabalho, influência no trabalho, conflito trabalho-família, justiça e respeito, autoavaliação de saúde;
- Severidade 2 (baixa): clareza de papel, previsibilidade, recompensas e reconhecimento, conflitos de papel, apoio social dos superiores, confiança vertical;
- Severidade 1 (muito baixa): significado do trabalho, compromisso com o local de trabalho, comunidade social no trabalho, possibilidades de desenvolvimento, apoio social dos colegas.
Fixar a severidade por critério, e não caso a caso, garante consistência: dois setores, duas empresas ou dois ciclos de avaliação são classificados com a mesma régua.
Como classificar: a matriz 5×5 do Quadro 10
Com probabilidade e severidade definidas, cada dimensão cai em uma célula da matriz — e cada célula já tem uma classificação pré-definida:
| Probabilidade ↓ / Severidade → | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 |
|---|---|---|---|---|---|
| 5 — Muito alta | Moderado | Alto | Alto | Crítico | Crítico |
| 4 — Alta | Baixo | Moderado | Alto | Alto | Crítico |
| 3 — Média | Baixo | Baixo | Moderado | Alto | Alto |
| 2 — Baixa | Baixo | Baixo | Baixo | Moderado | Alto |
| 1 — Muito baixa | Baixo | Baixo | Baixo | Baixo | Moderado |
A classificação não é um fim em si: cada nível dispara um tratamento diferente, e é isso que a fiscalização cobra.
- Crítico: ação imediata, com intervenção em até 30 dias e acompanhamento mensal;
- Alto: plano de ação 5W2H obrigatório, com prazo máximo de 90 dias para implementação;
- Moderado: medidas preventivas documentadas e monitoramento ativo;
- Baixo: manutenção sob vigilância, via reaplicação periódica e registro no banco de dados de riscos.
Exemplo prático de matriz de risco psicossocial
Veja como cinco dimensões de uma empresa fictícia seriam classificadas, no mesmo formato do detalhamento que acompanha o documento:
| Dimensão | Score | Probabilidade | Severidade | Classificação |
|---|---|---|---|---|
| Burnout | 65% | 4 — Alta | 5 | Crítico |
| Ritmo de trabalho | 72% | 4 — Alta | 3 | Alto |
| Qualidade da liderança | 45% | 3 — Média | 4 | Alto |
| Comportamentos ofensivos | 12% | 1 — Muito baixa | 5 | Moderado |
| Clareza de papel | 58% | 3 — Média | 2 | Baixo |
Repare no que a matriz revela e um ranking simples de scores esconderia. Burnout, com score menor que o de ritmo de trabalho, é o risco mais grave da empresa, porque combina probabilidade alta com o dano potencial máximo. A dimensão comportamentos ofensivos, mesmo com score baixíssimo, nunca chega a "Baixo": um fator de severidade 5 permanece no mínimo Moderado em qualquer linha da matriz — ou seja, sempre no radar. E clareza de papel, apesar do score mediano de 58%, fica em Baixo, porque o dano potencial é limitado. É essa leitura em duas dimensões que sustenta a priorização perante a fiscalização.
Como a Safio gera a matriz a partir dos scores do COPSOQ II
Montar essa classificação à mão em planilha, para 23 dimensões e vários setores, é trabalhoso e sujeito a erro de digitação. Na Safio, a matriz sai pronta do diagnóstico, em quatro etapas:
- Diagnóstico COPSOQ II: a empresa aplica o questionário de 41 itens em escala Likert de 5 pontos, que mede 23 dimensões psicossociais em escala 0–100. A coleta é anônima, com k-anonimato de no mínimo 5 respondentes por setor, para que nenhum recorte exponha uma pessoa.
- Classificação automática: a plataforma converte o score de cada dimensão em probabilidade (1 a 5), aplica a severidade fixa da tabela de critérios e posiciona as 23 dimensões na matriz 5×5 do Quadro 10.
- Documento T03 pronto: a matriz 5×5 vem preenchida (cada célula mostra quantas dimensões caíram ali), com os totais por nível — Baixo, Moderado, Alto e Crítico — e o detalhamento completo das 23 dimensões ordenado do Crítico ao Baixo, com score, probabilidade, severidade e classificação de cada uma.
- Validação técnica: o documento traz o aviso de LGPD sobre dados agregados e anônimos, número próprio (no padrão
NR1-MTZ-+ hash do consolidado), validade até a data da próxima reaplicação e o bloco de assinatura do responsável técnico, com formação e registro profissional. A assinatura é digital de nível simples (Lei nº 14.063/2020), e o PDF assinado vai para guarda imutável por 20 anos, conforme o item 1.5.8 da NR-1.
A matriz não trabalha sozinha: ela é a ponte entre o diagnóstico e a ação. As classificações alimentam o inventário de riscos psicossociais, que consolida perigos, fontes e medidas de controle dentro do PGR, e definem quais dimensões entram com prazo no plano de ação do ciclo PDCA. Entre um diagnóstico e outro, as Pesquisas de Pulso (planos Growth e Enterprise, liberadas durante o teste grátis) funcionam como escuta contínua para acompanhar se o que estava em Alto está de fato cedendo.
Erros comuns ao montar a matriz
- Priorizar só pelo score. Sem o eixo de severidade, um assédio raro parece menos importante que uma sobrecarga frequente — exatamente o tipo de leitura que subestima os riscos mais graves.
- Severidade negociada caso a caso. Se cada gestor atribui a gravidade que acha justa, a matriz perde consistência e vira alvo fácil de questionamento. A severidade deve vir de tabela de critérios documentada antes da coleta.
- Matriz sem método por trás. Preencher a probabilidade por percepção, sem instrumento validado, produz um documento bonito e indefensável. A probabilidade precisa derivar de dado coletado.
- Classificar e não agir. Uma dimensão Crítica sem medida e prazo correspondentes no plano de ação é uma confissão por escrito de que a empresa sabia e não fez nada.
- Detalhar demais e quebrar o anonimato. Recortes por setores muito pequenos permitem identificar quem respondeu o quê, e o ciclo seguinte virá com respostas maquiadas. A regra de k-anonimato de no mínimo 5 respondentes por recorte existe justamente para isso: abaixo disso, o setor só aparece no consolidado.
Da classificação à ação
A matriz de risco psicossocial é o momento em que o diagnóstico vira decisão: ela diz, com critério técnico, o que é urgente, o que se monitora e o que se mantém sob vigilância. Feita à mão, consome horas e envelhece a cada ciclo; gerada a partir do COPSOQ II, sai pronta, consistente e assinada. Crie sua conta na Safio e gere a matriz da sua empresa junto com os demais documentos da NR-1, a partir de um único diagnóstico.
Perguntas frequentes
A matriz de risco psicossocial é obrigatória na NR-1?
A NR-1 exige que a avaliação de riscos combine a probabilidade de ocorrência com a severidade das possíveis lesões ou agravos, permitindo a gradação e a priorização dos riscos. A matriz probabilidade × severidade é a forma consagrada de registrar esse cruzamento, e o Quadro 10 do Manual GRO/PGR do MTE traz o modelo 5×5 de referência que a fiscalização espera encontrar anexado ao PGR.
Qual a diferença entre a matriz de risco e o inventário de riscos?
A matriz classifica: posiciona cada fator psicossocial no cruzamento probabilidade × severidade e atribui o nível de risco. O inventário consolida: registra os perigos identificados, os scores por dimensão, a classificação vinda da matriz e as diretrizes de controle. A matriz é onde a classificação acontece; o inventário é o registro completo que integra o PGR. Na Safio, são os documentos T03 e T01, gerados no mesmo ciclo — e a régua que ambos usam fica no T02, o Documento de Critérios.
Como se define a severidade de um risco psicossocial?
Por uma tabela de critérios fixa por tipo de fator, registrada no Documento de Critérios (T02) antes da avaliação, e não caso a caso. Fatores com dano potencial máximo, como comportamentos ofensivos, burnout e sintomas depressivos, recebem severidade 5; fatores de dano mais limitado, como comunidade social no trabalho ou apoio social dos colegas, recebem severidade 1. Isso garante classificação consistente entre setores e entre ciclos.
O que fazer com dimensões classificadas como Alto ou Crítico?
Ambas exigem medidas de controle com prazo definido no plano de ação. Pelos critérios da Safio, dimensões Críticas pedem ação imediata, com intervenção em até 30 dias e acompanhamento mensal; dimensões Altas exigem plano de ação 5W2H com prazo máximo de 90 dias. As Moderadas requerem medidas preventivas documentadas e monitoramento ativo, e as Baixas ficam sob vigilância por meio da reaplicação periódica.
Posso usar uma matriz 3×3 em vez de 5×5?
A NR-1 não impõe um formato único, então uma matriz 3×3 é tecnicamente aceitável. Na prática, a 5×5 do Quadro 10 do Manual GRO/PGR é a referência do MTE e oferece granularidade melhor para priorizar 23 dimensões: com apenas três faixas por eixo, muitas dimensões empatam no mesmo nível e a fila de prioridades fica pouco útil para decidir por onde começar.
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