Inventário de riscos psicossociais: o que é e o que a NR-1 exige

Equipe Safio02 de agosto de 2026

Resumo

O Inventário de Riscos Psicossociais é o documento técnico que consolida a identificação e a avaliação dos fatores psicossociais da empresa, exigido pela NR-1 (Portaria MTE nº 1.419/2024) como parte do PGR. Ele apresenta o score das 23 dimensões do COPSOQ II em escala 0–100, a classificação de cada uma (0–33 Baixo, 34–66 Moderado, 67–100 Alto) e a matriz de risco 5×5, é assinado pelo responsável técnico e integra os registros do GRO, guardados por 20 anos conforme o item 1.5.8 da NR-1.

Quando um auditor-fiscal pergunta "como a empresa gerencia riscos psicossociais?", a resposta não é um discurso: é um documento. O inventário de riscos psicossociais é a peça central dessa resposta, o registro técnico que mostra quais fatores foram avaliados, com que método, que scores apareceram e o que a empresa decidiu fazer. Neste guia, você entende o que a NR-1 exige, qual é a estrutura típica de um inventário bem-feito, como ele é gerado a partir do diagnóstico COPSOQ e por que a assinatura do responsável técnico e a guarda por 20 anos importam tanto quanto o conteúdo.

O que é o Inventário de Riscos Psicossociais

O Inventário de Riscos Psicossociais é o documento que consolida a identificação e a avaliação dos fatores psicossociais de uma organização: quais dimensões foram medidas, o score de cada uma, a classificação de risco resultante e as diretrizes de controle. Ele é a parte psicossocial do inventário de riscos ocupacionais que a NR-1 exige dentro do PGR, e funciona como a "fotografia oficial" do diagnóstico: é a partir dele que nascem a priorização, o plano de ação e a comparação com os ciclos seguintes.

Na Safio, o inventário é o T01: o primeiro dos 6 documentos (T01–T06) gerados automaticamente ao final de cada ciclo de diagnóstico, referenciando o item 1.5.7.3.2 da NR-1 (Portaria MTE nº 1.419/2024).

O que a NR-1 e o PGR exigem

A NR-1 estrutura o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) em torno de dois pilares documentais: o inventário de riscos e o plano de ação. Com a Portaria MTE nº 1.419/2024, os fatores psicossociais entraram explicitamente nesse gerenciamento, o que significa que o inventário do PGR precisa cobri-los com o mesmo rigor aplicado aos riscos físicos, químicos e biológicos: identificação, avaliação com método consistente, classificação e medidas de controle.

Na prática, um dossiê psicossocial defensável não é um documento só. Na Safio, cada ciclo gera seis:

  • T01 — Inventário de Riscos Psicossociais: o retrato do diagnóstico (este artigo);
  • T02 — Documento de Critérios: a metodologia e os critérios de avaliação;
  • T03 — Matriz de Risco: o detalhamento da avaliação probabilidade × severidade;
  • T04 — AEP: a Análise Ergonômica Preliminar com foco psicossocial (NR-17);
  • T05 — Evidência de Participação: a prova de que a coleta aconteceu, com hashes de integridade;
  • T06 — Plano de Ação 5W2H: as medidas de controle com responsáveis e prazos.

O T01 é o documento que amarra os demais: ele apresenta o resultado, e os outros sustentam método, evidência e resposta.

Estrutura típica: o que um inventário completo contém

Um inventário de riscos psicossociais bem estruturado segue uma sequência lógica, da identificação da empresa até a assinatura. No modelo da Safio, são estas seções:

  • Capa e identificação: empresa, CNPJ, data do diagnóstico, total de respondentes, taxa de resposta, responsável técnico e prazo de validade do documento;
  • Resumo da avaliação: grau de risco NR-4, setor econômico, CNAE principal, nº de colaboradores, período de coleta, respondentes com TCLE aceito e taxa de resposta;
  • Caixa de validade: o instrumento usado e um alerta condicional sobre a adesão — abaixo de 60% de participação, referência recomendada para validade estatística, o documento sinaliza que a divulgação precisa ser reforçada ou o prazo de coleta estendido;
  • Risco geral: a média dos scores das dimensões avaliadas, em escala 0–100, com a classificação correspondente;
  • Diagnóstico por dimensão: as 23 dimensões (12 em uma página, 11 na seguinte), cada uma com score, barra visual e badge de nível (Baixo, Moderado ou Alto);
  • Matriz de risco 5×5: o cruzamento de probabilidade (derivada do score) e severidade (fixa por dimensão, definida na tabela do Documento de Critérios), classificado pela matriz de decisão do Quadro 10 do Manual de GRO/PGR do MTE, com a contagem de dimensões em cada célula;
  • Diretrizes de intervenção: para cada dimensão acima de Baixo, ordenadas do maior para o menor score, uma diretriz técnica que serve de base para o Plano de Ação 5W2H;
  • Base técnica e legal: instrumento, base normativa, regras de proteção de dados, TCLE, forma de cálculo, faixas de classificação e data da próxima reaplicação;
  • Assinaturas: responsável técnico (com formação e registro profissional) e representante da empresa, com local, data e número do documento.

Se nenhuma dimensão ficar acima de Baixo, a seção de diretrizes não fica vazia: o documento registra explicitamente que os indicadores estão em níveis aceitáveis e recomenda monitoramento contínuo com nova avaliação em 12 meses. Inventário sem achado também é achado, e precisa estar escrito.

Scores e classificação de risco

Aqui está o detalhe que a maioria dos modelos de inventário erra: o documento não tem uma classificação, tem duas camadas. A primeira é a régua de leitura do score, que vale para todas as dimensões, sempre em escala de 0 a 100 (quanto maior o score, maior o risco):

Score da dimensãoClassificação no diagnóstico
0–33Baixo
34–66Moderado
67–100Alto

É esse nível que aparece no badge ao lado de cada dimensão. A segunda camada é a matriz de risco 5×5, que define a consequência. Nela, o score vira o eixo de probabilidade em cinco faixas:

ScoreProbabilidade
menor que 201 — Muito baixa
20–392 — Baixa
40–593 — Média
60–794 — Alta
80 ou mais5 — Muito alta

O outro eixo, a severidade, não vem do score: é fixa por dimensão, definida na tabela do Documento de Critérios segundo o dano potencial de cada fator. Burnout, sintomas depressivos e comportamentos ofensivos entram com severidade 5; exigências emocionais, estresse e qualidade da liderança com 4; já apoio social dos colegas, significado do trabalho, comunidade social, compromisso com o local de trabalho e possibilidades de desenvolvimento entram com 1. Por isso duas dimensões com o mesmo score podem terminar em prioridades diferentes.

O cruzamento dos dois eixos produz quatro níveis, incluindo um que não existe na régua do score: Crítico, o topo da fila. Uma dimensão com score 82 em burnout (probabilidade 5, severidade 5) cai em Crítico; o mesmo score 82 em apoio social dos colegas (probabilidade 5, severidade 1) sai como Moderado. Pelo critério do Quadro 10, dimensões Altas ou Críticas exigem medidas de controle com prazo definido no plano de ação; Moderadas pedem monitoramento; Baixas, vigilância contínua por meio da reaplicação periódica. O inventário fecha essa seção com quatro contadores — quantas dimensões ficaram em Baixo, Moderado, Alto e Crítico.

Como o inventário é gerado a partir do diagnóstico COPSOQ

O inventário não se escreve à mão: ele é a saída de um diagnóstico estruturado. Na Safio, a base é o COPSOQ II (Copenhagen Psychosocial Questionnaire) em versão curta: 41 itens em escala Likert de 5 pontos, distribuídos em 23 dimensões psicossociais, de exigências quantitativas e ritmo de trabalho a qualidade da liderança, justiça e respeito, burnout e comportamentos ofensivos. É um instrumento validado internacionalmente em mais de 30 países, o que dá ao documento a consistência técnica que a NR-1 cobra.

O caminho do questionário até o PDF passa por quatro etapas:

  1. Coleta anônima com consentimento: cada participante aceita o TCLE antes de responder, e nenhuma resposta é vinculada a nome ou e-mail;
  2. Proteção por agregação: resultados por setor só aparecem com no mínimo 5 respondentes (k-anonimato), impedindo a identificação individual, conforme a LGPD;
  3. Cálculo dos scores: cada resposta na escala de 1 a 5 vira um valor de 0 a 100 (0, 25, 50, 75 ou 100). Perguntas redigidas no sentido positivo — "seu trabalho tem significado?", por exemplo — são invertidas antes de entrar na conta, para que score alto signifique sempre risco alto. O score da dimensão é a média dos itens já convertidos;
  4. Classificação e montagem: aplicação dos cortes 0–33/34–66/67–100, cruzamento na matriz 5×5, geração das diretrizes e montagem do documento com todos os dados do ciclo.

O resultado é um inventário que qualquer auditor consegue rastrear: método declarado, amostra descrita, cálculo explicado e classificação justificada, sem planilha paralela nem retrabalho.

A assinatura do responsável técnico

Um inventário sem assinatura é um rascunho. A NR-1 pressupõe responsabilidade técnica sobre a avaliação de riscos, e é a assinatura do responsável técnico (RT), com formação e registro profissional identificados, que transforma o relatório em documento do PGR. O representante da empresa também assina, formalizando o compromisso da organização com o resultado.

Na Safio, essa etapa é eletrônica e segue o nível simples da Lei nº 14.063/2020: o RT revisa o documento, pede a assinatura e recebe um código de 6 dígitos por e-mail, válido por 10 minutos. Confirmado o código, o inventário é congelado e ganha uma página de certificado de assinatura anexada ao PDF, com data e hora, IP de origem, identificação do responsável técnico, número do documento e o hash SHA-256 do arquivo assinado. Qualquer alteração posterior mudaria o hash, o que garante integridade e não repúdio: o PDF apresentado à fiscalização é comprovadamente o mesmo que foi assinado.

Guarda por 20 anos: o inventário como prova

A NR-1 exige a retenção dos registros do GRO por 20 anos (item 1.5.8). O motivo é menos a fiscalização de amanhã e mais o processo de depois de amanhã: em uma ação trabalhista por burnout diagnosticado anos após o desligamento, a empresa precisará provar que identificou, avaliou e tratou os riscos psicossociais à época. Sem o inventário daquele ciclo, essa prova simplesmente não existe.

Por isso a Safio arquiva os documentos assinados em storage imutável com retenção de 20 anos (object lock em modo compliance): o arquivo não pode ser editado nem apagado dentro do prazo, preservando a trilha de auditoria completa. Uma pasta de rede com PDFs editáveis não oferece a mesma segurança jurídica — e é justamente o tipo de arquivo que a fiscalização não aceita como evidência.

Erros comuns ao montar o inventário

  • Usar pesquisa de clima como inventário: clima mede satisfação com perguntas próprias; a NR-1 pede avaliação de risco com método validado e classificação técnica;
  • Divulgar recortes de setores pequenos: resultados de grupos com menos de 5 respondentes quebram o anonimato e comprometem a coleta seguinte;
  • Entregar score sem consequência: inventário que aponta risco Alto sem diretriz nem plano de ação é confissão documentada de omissão;
  • Deixar o documento sem RT: sem assinatura de responsável técnico, o inventário não sustenta o PGR;
  • Tratar como documento único: sem a validade e a reaplicação (anual ou por gatilho, conforme o item 1.5.3.2 da NR-1), o inventário envelhece e perde valor probatório.

Do questionário ao documento assinado, sem retrabalho

O inventário de riscos psicossociais é o documento que a fiscalização pede primeiro e o que melhor resume a maturidade da gestão psicossocial da empresa. Fazer um exige método validado, cálculo transparente, classificação defensável, assinatura técnica e guarda de longo prazo, e é exatamente esse o caminho que a Safio automatiza: diagnóstico COPSOQ II anônimo, T01 gerado automaticamente com os outros cinco documentos, assinatura eletrônica do RT e arquivamento imutável por 20 anos. Crie sua conta na Safio e gere o inventário da sua empresa a partir de um diagnóstico de verdade.

Perguntas frequentes

O Inventário de Riscos Psicossociais é obrigatório?

Sim. A NR-1, atualizada pela Portaria MTE nº 1.419/2024, exige que os riscos psicossociais sejam identificados, avaliados e controlados dentro do GRO, e o inventário de riscos é um dos documentos centrais do PGR. A parte psicossocial desse inventário é exatamente o que o documento consolida.

Quem assina o Inventário de Riscos Psicossociais?

O responsável técnico pela avaliação, com formação e registro profissional identificados, além do representante da empresa. Na Safio, a assinatura é eletrônica (nível simples da Lei nº 14.063/2020, com código de 6 dígitos enviado por e-mail) e gera um certificado com data, hora, IP, número do documento e hash SHA-256, garantindo integridade e não repúdio.

Qual a validade do inventário e quando reaplicar o diagnóstico?

O documento indica a data da próxima reaplicação: anual ou antes disso, por gatilho, conforme o item 1.5.3.2 da NR-1 (mudanças relevantes na organização do trabalho, por exemplo). Um inventário vencido enfraquece o PGR perante a fiscalização.

Por quanto tempo o inventário deve ser guardado?

Por 20 anos, prazo de retenção que a NR-1 exige para os registros do GRO no item 1.5.8. Essa guarda é o que permite provar, em uma ação trabalhista anos depois, que a empresa gerenciava ativamente os riscos psicossociais à época. A Safio faz esse arquivamento em storage imutável, com trilha de auditoria preservada.

O inventário substitui o PGR da empresa?

Não. Ele é a parte psicossocial do inventário de riscos do PGR e deve ser integrado ao programa da empresa junto aos demais riscos ocupacionais. A Safio gera o dossiê psicossocial completo (T01 a T06) pronto para anexar ao PGR, mas não substitui o programa como um todo.

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